terça-feira, 13 de março de 2012

A Certa

Certas coisas são impossíveis
Incertas coisas...


Certas coisas não se provam
Mas prova-se delas

segunda-feira, 12 de março de 2012

Belas a tramar

Mesuras nos salões
Usuras de sacristia
Frescuras de portões
Ternuras não se vão aos dias

Mas há na noite quem se afoite
em dar-se
E quem em açoites do prazer
se esquece
Entre os que as gozam, os que as grafam
ou medem
as belas tramas do querer
Se tecem



Marinado em supetão, em aula sobre os que grafam.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cravata Miséria

Sou sem vergonha burocrata
Se o fazes por necessidade, transige-o!
Mas não me deixo cair, isso me exijo
Na condição de burro de gravata

E não podendo mais me dar que pálio, abrigo
Saibas que não o digo por bravata
Mas pra verter a alma, o intestino
E evitar deixar-me em pólo, o que maltrata

Do que o real impõe não me dês pista
Que bem maior atinjo em radicar no sonho
E não no quadro que o mundo habita
Esse que vem pronto, tão medonho

E este palavrório, o que lanço
Não sei se o cunho ou se me alcança
Mas serve à expressão da esperança,
O bem que superá-lo não alcanço.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Uma Ideia Pangeia



Lá estávamos nós, na aurora dos anos 2000, matriculados em um curso de francês com ares de coisa oficial, todos animados e orgulhos do heroico esforço de nos despojarmos da cama, por conta própria, em plena manhã de sábado, para pagarmos tributo a Balzac, Voltaire, Descartes, Sartre, Rimbaud, Baudelaire, e companhia quase ilimitada, apesar de exclusiva, de um certo ponto de vista.

Sacrifício, sim, mas as aulas de sábado na Aliança, no entanto, têm um je ne sais quoi... Aliás, vírgula! Je sais! Têm um ponto social bacana, já que a aula é cindida, havendo um intervalo que superfavorece a socialização.E sempre me joguei...

E eu me apegara a isso! Tendo como tantos contemporâneos ido cedo bater à porta de um curso de inglês, adorava já esse tipo de ambiente. E já dali à Ibéria de Almodóvar e Cervantes para passar então a essa nossa boa empresa francófona.

E não era privilégio meu. Lembro-me bem desse cara, Juliano, que estudava por força do trabalho também o espanhol, e que não hesitava, muito positivo, a responder a todas as perguntas de Madame Suzana com um corajoso “Si!”. Só lhe faltava o “como no!?”. Tinha também a Grazi, que também cumpria pena em Faculdade de Direito (coisa endêmica naquela família) e que também já zanzara outras línguas.

Mas, como diria o Oswaldo, não era isso que queria falar!

Como bem mostrava meu exemplo, e o do tal Juliano, e tantos outros, lá estávamos nós, em meio à globalização feroz do virar do século, cumprindo uma sua suposta imposição, passo árduo-prazeroso do processo: a aquisição da língua do outro. Eu, já em vias de me tornar servidor público, não via utilidade imediata naquilo, privado que seria dos livres concorrentes, mas bem me aprazia então me lançar um dia ao em que agora me vejo metido, a leitura de originais.

O fato, cara, é que como sabemos, bem antes de aviões e internets e tais, já o povo perambulava por aí. E não pense o senhor que a Aliança veio dar aqui no navio que trouxe o Tomé de Souza. Atrevida gente zanzando o Globo!

E não é que já nas primeiras aulas lá estava o Flávio, primo do nosso bom Ronaldo, pedindo dicas turísticas parisienses à Madame? Assustado daquela aparente ousadia, indaguei:

-Mas Flávio, a gente ainda está no básico 1 e lá vai você sem par à França?
-Gabriel, Gabriel! E o senhor acha que mudos não viajam?
  
Atrevimento avança!
Fiquei mudo; besta já era, está visto.
Com ou sem visto, mundos viajam!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Umpo Ema - Batista Livorno

Um poema não tem cheiro
Um poema não tem nojo
Um poema não tem dono
Um poema não é novo

Um poema sai sem pena
Um poema entra em todos
Um poema bem se rima
Em poemas eu me morro

Mas poemas me  renovam
Um poema não é estorvo
Um poema porque quero
Um poema sai do forno.

Um poema é o que houve
Porque ouve de você

terça-feira, 6 de março de 2012

Queen's Bath= In the Nude

It is not easy
To feel at ease
Not when your soul freezes
Not when your core burns

But do it, please!
Take it easy
Take a turn
Make it right
Left lust


Purity
Clarity
Cup of tea

segunda-feira, 5 de março de 2012

Apotropaico - Sonato Insoneto

Um querer opaco de consumação
Um laivo diáfano de supressão
Acima o de baixo, o do alto ao chão
Locus propício ao desejo e à razão


Se rola na relva ou hidrata o grotão
Nem mesmo por isso o esforço é em vão
A carne em juízo de retratação
Não pede o açoite ou se perde em oração


Fendido o desejo
Deixado o ofendido
Previsto o ensejo de amor mal carpido


Fingida distância
Encoberta operância
Nada ferisse o desejo em jactância


Es nobis nobilis
Es no bis




Brasília, 03/03/12

sábado, 3 de março de 2012

Medo Mendaz

Sou o que fala ou o que faz?
Sou o malfeito ou o falaz? 
O bem que deito veraz!

Recluso à resposta
Cerrado em meu peito
Se reverbero mais dito que feito!

Se reverbero bem dito: que efeito!
Já não ecoo o maldito defeito

Ruborizado o rosto que afeito
Não do pendor imoral... contrafeito!
Cortado no couro, por coro desfeito
Pensando melhor: dito e feito!

Brasília, 1 de março de 2012

sexta-feira, 2 de março de 2012

V'iniciado - intragáveis ao antes

Com vinhas nesta varanda
Convinha às vezes a gente
Pisar
Fermentar
Beber


Mas certas muito boas coisas
Só se tragam envelhecidas
Envelhecidos...
A ver!


Brasília, 29/02/12