Quando a bala se alojou em mim
entendi imediatamente que tinha meu nome
ela me estava destinada
desde que a disparara
esse projétil eu o projetara
por ter deixado vencer-me
minha parte mais bárbara
eu que tanto tinha errado
jamais perdoara
nem nunca pedira perdão
agora já penso em outra chace
ainda dentro deste caixão
oblongo
escuro
prematuro para o que planejara
com minhas pequenas asas
do amor nunca voara
fora sempre intelecto
ora fértil, ora abjeto
mas bons ventos me embalem
da Misericórdia divina
e me deem forças para a retificação
que agora se me destina
mas sempre haverá amanhã
pois Deus é Amor
e esse Amor não limita