Decesso de excesso existe,
do que dá prova o clube dos 27
mas...percebe...
ainda aí é a falta que nos perde
Decesso de excesso existe,
do que dá prova o clube dos 27
mas...percebe...
ainda aí é a falta que nos perde
Depois do abacaxi
só o abacaxi
não há o que possa
suceder sua doçura
abacaxi não é problema
mas textura
o coroado abacaxi!
"a gente chega
a achar que é feliz"
A notícia
fictícia
sobressalta
seu advento
sublinha
a falta
concretiza a despedida
desembrulha o estômago
abre vagas de
escassa procura
difícil aprovação
impossível investidura
o golpe
que desarma
a armadura
cessa o duelo
nos foros
da loucura
Como um livro quando faltam páginas
some do epílogo a explicação
Eu não preciso de provas
nunca precisei de provas
eu experimento, oras!
Eu sinto
perscruto
intuo
tudo que é bonito
vívido
pulsante
Só preciso de provas
se diagnóstico de câncer
Nunca antes
até tão depois
Nunca antes
partir ficado
Nunca antes...
mas e o depois projetado?
Quisera escrever um poema
a cada vez que não lhe posso falar
mas os projetos excederiam de muito
minha capacidade de os realizar
e eu poderia passar sem essa ansiedade
afinal sempre disse, de mim para mim,
que não sofro desse mal
eufórico, deprimido, eufórico, deprimido
mas sem pressa de ir de uma a outro
(não é assim que sou de lua)
querer falar-lhe é recorrente
(mais do que diário)
mas talvez não seja nada para versos
e como destacado nas nuvens
não tenho o diploma de onde se estudam
nem ninguém me outorgou essa dignidade
a não ser por alguns afeiçoados, em epíteto:
Bom dia, senhor poeta!
como aos poetas oficiais das cidades de novela
uma distinção carinhosa que
de uma forma vexada
afaga
eu prefiro filmes a novelas e sou roteirista
o passado quase como havido
o futuro como desejado
neste ainda estou ao seu lado
os problemas se superaram
teceu-se o modus vivendi
a vivenda é qualquer uma
de qualquer patamar
em qualquer localização
os presentes se dão sem medo
dos excessos não se espanta e foge
os passados ainda existem e seguem passados
para frente se olha além das décadas
do decesso
da decendência
às vezes acho que era até fácil
que se podia
que se pode
espero que estes caracteres
encontrem-na bem
Desejar-te desde sempre
Ter-te agora, uma dia, é sempre
A Bahia não me deu
(e nem eu queria)
régua e compasso
mas aquele abraço
tem
pintura no braço
tem
orla, largo, confissão
na Bahia nada
atravanca a expansão
Talvez não goste de viajar sozinho
nem acompanhado
mas para encontrar
a linguagem do encontro é o abraço,
que faz a impressão do espisódio
na parede do coração
não entope
acolchoa
(de amor não se morre
à toa)
Perambular como um estrangeiro
em um país um pouco seu
mas só um pouco
que nunca lhe pertenceu
o que ali se tece
com os olhos certos
é de uma felicidade!
que também um pouco entristece
A onda é efêmera
mas as ondas são eternas
como eternamente o carvão
se pressiona em diamantes
que se dão a quem impressiona
(mas não eternamente)
Quem nunca soube brincar
não sabe ser sério
sabe imitar a morte
e incidir como um imposto
mas não vê a vida
em todos os seus contornos
falta-lhe um sentido
e o sentido de estar
(disposto)
Já fui cego
e torturado pela escuridão
já fui cego
e orgulhoso de sê-lo
fascinado por aquela tortura
até o dia em que te dirigem o
"que queres que te faça?"
que cura
Ecoando de dentro da minha primeira escolha musical
um bardo dizia que o último dia de dezembro
é sempre igual ao primeiro de janeiro.
Mas os separa uma obsessão.
O último de dezembro é apenas o cúmulo
do que os de dezembro todos portam:
a hora do novo cantada e decantada.
Tanto e de tal modo pronunciada
que chega a ser esperada.
Uns passam o café e arrumam a casa.
Outros fazem a contagem regressiva para a contagem regressiva,
que mesmo tão curta se faz em roupa de ver Deus
(e talvez a preços exorbitantes...)
3,2,1 e SCATAPUM!
Primeiro de janeiro não tem obsessão.
O novo ficou para trás (ou foi o velho?)
É impressionante seu poder de sentir-se o mesmo:
pós-praia, pós-clube, pós-casa-da-sogra, pós-nada.
É como chegar ao pé do arco-íris:
João não vira Maria,
não tem pote de ouro,
não houve o sorteio bilionário da Caixa.
Tanto faz cada cor, todas as cores, ou cor nenhuma.
O tolo está de ressaca?
Ou o tolo está orgulhoso de que,
este ano, ainda não mandou aquela famigerada mensagem?
Outros têm agora 365 dias para tomar coragem
"até o fim do ano".
Ou para manter a coragem desde esta hora
para não repetir o de outrora.
Um ano limpo, até segunda ordem.
E se a barra sujar:
"...tenho discos e livros".
O núcleo. Indivisível.