Vivo no seu trem
na portinhola da locomotiva
não adentro os vagões
que deles não te vejo
neles há muita gente
daqueles outros vilarejos
não apeio
gosto do vento no rosto
gosto de ver teu caminho
e gosto de que me aproximo
mas andar na linha
não me revela a jornada
não construí a estrada
nada sei de ferros e encruzilhadas
interessa-me entender
o que na poesia da vida desperta o seu sorriso
talvez mais raro que sua gargalhada
não o sorriso público
à gente a ser evitada
o seu sorriso mais puro
a este que quer adivinhá-la
e você nos conduz
por pontes sobre rios
com essa sua certeza
que destrói meus desatinos
e não sei o que me embrulha o estômago
se é certo o destino
(é que é incerto chegar contigo...)
- por favor, sem solavancos, maquinista!